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Atraso em reconstrução agrava drama Haitiano

istambul | 30 de março de 2010 | 12:48



Apesar do grande volume de recursos enviados ao país em resposta ao terremoto de janeiro, população tem recebido apenas ajuda de emergência

28 de março de 2010 | 0h 00

Adriana Carranca – O Estado de São Paulo

À distância, o Haiti tornou-se uma espécie de estandarte da cooperação internacional para ajuda humanitária, na reconstrução do país arruinado pelo terremoto de 12 de janeiro. Um olhar aproximado sobre as ruas da capital, Porto Príncipe, no entanto, revela a falência de um sistema que, apesar dos dólares e recursos humanos já empregados, ainda não fez muito mais pelos haitianos do que distribuir sacos de arroz e tendas (em número insuficiente, diga-se), enterrar 230 mil cadáveres em valas comuns e prestar o socorro emergencial que salvou muitas vidas, mas – por falhas na organização – criou uma nação de amputados e não impediu outras tantas mortes nas semanas consecutivas à catástrofe.

O Haiti é uma ferida aberta no corpo das Nações Unidas. Com o apoio do secretário-geral, Ban Ki-moon, o presidente haitiano, Rene Préval, apresentará quarta-feira, na sede da organização, em Nova York, um plano de 250 páginas para reerguer o país dos escombros. Com ele, tentará convencer as 60 nações doadoras a assinar um cheque de US$ 3,9 bilhões, a ser usado nos próximos dois anos em soluções provisórias à situação crítica atual – a reconstrução mesmo, com novos hospitais, escolas, prédios públicos, portos e aeroportos, sob rigoroso código de obras e edificações a fim de evitar futuras catástrofes, demandaria U$ 11,5 bilhões e dez anos, nas contas da ONU.

Como e por quem o dinheiro será empregado ainda não se sabe. A Conferência Mundial para a Reconstrução do Haiti, na República Dominicana, foi adiada para junho. Se nada for feito, até lá a temporada de chuvas, em abril e maio, terá levado consigo barracas improvisadas, o que restou das casas ainda equilibradas sobre frágeis pilares e mais vidas. Na semana passada, a primeira tempestade desde o terremoto inundou Citè Soleil e transformou em imenso lamaçal os quase 500 campos de desabrigados espalhados por Porto Príncipe, onde 1 milhão vive sem água, o esgoto corre a céu aberto e os relatos de estupros durante a noite se acumulam.

Era como se os santos do vodu estivessem mandando um aviso sobre o que está por vir. “A hora que as águas vierem, vão levar tudo isso aí”, diz o coronel Faulstich, comandante do Brabatt 2, batalhão agregado às forças brasileiras no Haiti duas semanas atrás. Sobre os escombros do Forte Nacional, ele aponta para Bel Air, uma das áreas mais afetadas da capital, onde estão a Catedral, o palácio do governo, os ministérios, o Legislativo e o Judiciário, as universidades e a antiga penitenciária, tudo ainda em ruínas. “Há muitos mortos aí embaixo porque nada dos escombros foi retirado. Aqui não se fala em reconstrução”, diz o coronel.

Na favela de Bel Air, 70 dias após a tragédia, a população tenta reorganizar a vida entre pilhas de entulhos – o lixo que se acumula, sem coleta desde o terremoto – e ossos. Um crânio entre as grades retorcidas de um terraço partido ao meio, uma cruz de madeira aqui, outra ali, marcando onde há corpos enterrados, não deixam esquecer a tragédia. Tampouco a letargia da resposta à ela.

Além da segurança, os militares brasileiros estão trabalhando no único assentamento cuja localização já foi definida pelo governo do Haiti – a terraplenagem de forma a evitar alagamentos, e somente isso, será concluída no fim de abril. Ninguém sabe dizer quando as barracas de estrutura mais firme e com piso serão colocadas. Outros quatro assentamentos prometidos para a temporada de chuvas e furacões não têm previsão de início.

Os militares criticam a desorganização das ONGs que, por sua vez, apontam o dedo para Préval, que segue despachando de um galpão improvisado na frente do aeroporto, e segundo fontes locais enfrenta dificuldades diante das pressões políticas e do setor privado – “as 20 famílias ricas do Haiti” – com interesses na reconstrução. “Os recursos humanos estão aqui, o dinheiro não falta. Temos maquinário para fazer as casas, hospitais, escolas e material para funcionar. O que falta é decisão política”, desabafa Arnaldo San Ramán Ollo, chefe da delegação da Cruz Vermelha espanhola no Haiti.

Vazio. É difícil descrever o olhar dos haitianos diante desse vazio. Há muita gente contemplando o nada e crianças vagando, sem ter o que fazer, porque as escolas não voltaram a funcionar. “Há dificuldade de espaço nos campos e ONGs para dar aulas”, disse ao Estado o porta-voz do Unicef no Haiti, Simon Ingram. Na previsão dele, antes de setembro, início do ano letivo, não haverá local para os professores sobreviventes lecionarem – estima-se que mais de 500 deles, do ensino básico e fundamental, tenham morrido.

No Hospital Universiário, o mais movimentado da capital, destruído pelo terremoto, milhares de feridos e amputados esperam em macas sob tendas no jardim que o tempo cure suas feridas. As equipes estrangeiras de emergência deixaram o Haiti há um mês e é raro ver médicos e enfermeiros no loca. “Nós estávamos lá para fazer as cirurgias de urgência e atender os casos mais graves. Mas, já deixamos o local. Não podemos cuidar de todos”, disse uma fonte da Médicos Sem Fronteiras.

Reservatório de esperança. Para muitos, o terremoto expôs a fragilidade do governo haitiano e da missão da ONU, no país desde 2004. “O desastre retirou o véu de hipocrisia de todos os poderes e evidenciou a incapacidade da comunidade internacional, que tantos anos e dólares depois, não conseguiu fazer nada aqui. Os haitianos são um reservatório de esperança em uma nação dominada por uma elite distante e corrupta que não responde ao povo”, diz Pablo Mella, padre jesuíta. “O presidente Lula deveria renunciar à tentação do protagonismo internacional pessoal e retirar o apoio à missão da ONU. “

Fonte (reportagem): O Estado de São Paulo

Fonte (fotos): Boston.com / The Big Picture

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A Reconstrução do Haiti

istambul | 28 de março de 2010 | 11:05

26/01/2010 

A falta de uma ajuda mais rápida está matando muito mais do que o terremoto matou

Os horrores do terremoto no Haiti continuam a vir à tona. O terremoto propriamente dito matou possivelmente 100 mil pessoas. A incapacidade de organizar uma ajuda rápida está matando dezenas de milhares. Mais de um milhão de pessoas estão expostas a fome e a doenças e, com a chuva e as temporadas de furacões se aproximando, ficam vulneráveis a riscos adicionais.

Até mesmo uma economia pobre como a Haitiana é um sistema complexo, dependente de comércio entre as zonas rural e urbana, de transportes, eletricidade, serviços portuários e funções governamentais. A economia do Haiti funcionava mal no passado e, quando o terremoto aconteceu, estava ainda se recuperando de quatro furacões ocorridos em 2008. O fato de o terremoto ter atingido a capital e arrasado todos os centros de atividade social destruiu os sistemas dos quais depende a vida urbana diária. Milhões de pessoas estão agora sem meios de subsistência e meios de sobrevivência.

A primeira fase de uma resposta eficaz – as três ou quatro primeiras semanas -, deve se concentrar em socorrer sobreviventes e estabilizar o suprimento de alimentos, água, serviços médicos e abrigo para a população. Tanto o Haiti como o mundo não estavam devidamente equipados para isso, e dezenas de milhares de pessoas morrerão desnecessariamente. Os sistemas mundiais de reação emergencial – em especial beneficiando países pobres em zonas mais vulneráveis a terremotos, vulcões, secas, furacões e inundações – precisam ser atualizados.

Após apenas cerca de um mês, a fase emergencial dará lugar a uma luta que já dura décadas para recuperação e desenvolvimento no longo prazo. O Haiti precisa evitar um período prolongado de vida em acampamentos nos quais as pessoas são meras refugiadas. Mas onde deveriam morar as pessoas que precisam ser deslocadas – centenas de milhares, talvez mais de um milhão? Como lhes deveriam ser fornecidos alimentos, água, saúde e habitação? E como podem elas começar a contribuir para a reorganização da vida econômica básica?

A economia terá uma estrutura simples, nos próximos anos, e a maioria das atividades econômicas ficará centrada em cinco setores: agricultura de subsistência; reconstrução; serviços portuários e manufatura leve; comércio local em pequena escala e serviços públicos, entre eles atendimento de saúde e educação. O principal desafio é apoiar esses cinco setores para combinar ajuda de curto prazo com reconstrução e desenvolvimento a longo prazo.

Em primeiro lugar, esforços especiais devem ser feitos para melhorar a agricultura camponesa e as comunidades rurais. Isso permitirá que centenas de milhares de pessoas deslocadas regressem às comunidades de suas aldeias e vivam da agricultura. Com fertilizantes, sementes melhoradas, irrigação em pequena escala, treinamento rápido e serviços de extensão, silos de armazenamento de baixo custo, a produção alimentar do Haiti poderia dobrar ou triplicar nos próximos anos, sustentando o país e construindo uma nova economia rural.

A reconstrução – de estradas, edifícios e sistemas hídricos e de saneamento – empregará dezenas de milhares, talvez centenas de milhares, de trabalhadores Haitianos na construção civil, e impulsionará a regeneração das cidades. O Programa Alimentar Mundial pode ajudar os camponeses a produzir mais alimentos no campo e, depois, comprar alimentos para utilização em programas “alimentos em troca de trabalho” focados em projetos de construção civil.

A infraestrutura Haitiana era insuficiente antes do terremoto (daí a taxa de mortalidade chocante), e a maior parte é, hoje, entulho. Investimento de capital em larga escala também será necessário para reequipar os portos e restabelecer a rede de energia elétrica.

A recuperação exigirá também o restabelecimento de um setor de manufatura pelo menos em pequena de escala. O Haiti, como sua vizinha, a República Dominicana, no passado criaram postos de trabalho em instalações portuárias, compreendendo a produção de roupas, bolas e outros itens de manufatura leve. Esses empregos desapareceram nos anos 1990, quando os EUA impuseram um embargo comercial sobre o Haiti como parte de um esforço para restabelecer a democracia. A democracia voltou, mas a economia foi destruída.

Outros países ergueram-se dos escombros de desastres naturais e de guerras, e o Haiti pode fazer o mesmo ao longo dos próximos cinco a dez anos. Na próxima década, porém, e especialmente nos próximos cinco anos, não haverá como escapar à necessidade de recorrer a financiamento internacional e, principalmente, doações, para financiar o esforço de reconstrução. No passado, o mundo gastou muito dinheiro com o Haiti, mas de maneira muito ineficaz. Desta vez, é preciso fazer direito.

Uma estratégia clara é necessária para fortalecer os setores chave discutidos acima. Cada setor exige uma estratégia de recuperação para cinco anos, com um orçamento nítido e linhas claras de parceria e responsabilidade interrelacionando o governo Haitiano, organizações não governamentais e doadores institucionais – especialmente governos e agências internacionais.

O segundo ponto crucial para sucesso na reconstrução é harmonizar a resposta internacional. Existem provavelmente 40 ou mais organizações oficiais estrangeiras, se não mais, já empenhadas no esforço de recuperação. Além disso, existem centenas, senão milhares, de ONGs Haitianas nacionais. O próprio governo Haitiano foi reduzido à paralisia por morte e destruição.

É necessária uma estrutura institucional abrangente. É necessária uma grande conta bancária como destinatária dos recursos provenientes de diversos doadores para financiar os pesados gastos necessários à recuperação do Haiti. É necessária uma equipe executiva extremamente profissional para coordenar os esforços de apoio internacional. E tudo isso precisa ser posto em prática muito em breve, enquanto há interesse internacional. O mundo, muito em breve, passará a dar atenção à próxima crise, muito antes de o Haiti começar a se recuperar.

Tenho observado os problemas de cooperação internacional durante um quarto de século. Cada agência tem seu papel, mas elas também tendem a disputar terreno, em vez de colaborar. Promessas financeiras internacionais são feitas para as manchetes e oportunidades para fotos, mas acabam não sendo cumpridas. Precisamos, portanto, dinheiro no banco, e liderança clara.

Meu candidato à condução do processo é o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O profundos compromissos de longo prazo do BIRD no Haiti e sua experiência em agricultura, saúde, educação e infraestrutura o qualifica para coordenar a multiplicidade de agências que serão envolvidas. O BIRD precisará trabalhar em estreita colaboração com uma equipe de executivos profissionais formada por profissionais Haitianos locais e em outros países dotados de experiência relevante.

A reconstrução Haiti custará talvez de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões, e consumirá muito da próxima década. Começar imediatamente salvará muitas vidas e evitará uma espiral descendente ainda mais trágica de uma sociedade que está no limiar da sobrevivência.

(Jeffrey D. Sachs | Valor)

Jeffrey D. Sachs é professor de economia e diretor do Instituto Terra, da Columbia University. Ele também é assessor especial do secretário-geral para o Desenvolvimento do Milênio.

Fonte: Valor Online

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Banco Mundial defende valorização do yuan

istambul | 26 de março de 2010 | 22:04

Em avaliação trimestral sobre a China, instituição aumenta de 9% para 9,5% a projeção de crescimento do país e vê necessidade de elevação dos juros

18 de março de 2010 | 0h 00

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / PEQUIM – O Estado de São Paulo

O Banco Mundial elevou de 9% para 9,5% sua projeção de crescimento da China neste ano e defendeu a valorização do yuan em relação ao dólar e a elevação dos juros para conter expectativas inflacionárias, evitar a formação de bolhas de ativos e rebalancear a economia.

Em sua avaliação trimestral sobre a China, a instituição ressaltou que a situação local é diferente da situação da maioria dos demais países e demanda uma política monetária mais apertada que a do ano passado, quando o volume de novos créditos dobrou em relação ao período anterior, para US$ 1,4 trilhão, o equivalente a 30% do PIB.

“A crise financeira mundial nos ensinou que a política monetária tem papel central para evitar a criação de bolhas de ativos. A China tem condições de ter uma taxa de juros mais alta e a maior flexibilidade na taxa de câmbio ajudaria a reduzir o temor de aumento do fluxo de capitais para o país”, afirmou Louis Kuijs, economista-sênior do Banco Mundial em Pequim.

Depois da reforma do regime cambial em 2005, a China voltou a vincular a cotação de sua moeda ao dólar a partir de meados de 2008. Desde então, o yuan está estabilizado em 6,83 por US$ 1.

Maior crescimento. A paridade com o dólar faz com que Pequim tenha de seguir a política monetária dos Estados Unidos, que está com juros baixos para enfrentar a queda na atividade econômica. A China cresceu 10,7% no último trimestre de 2009 e fechou o ano com 8,7%, o maior índice entre os grandes países.

Apesar do aquecimento econômico, a China enfrenta restrições para elevar os juros, porque o movimento pode estimular a entrada de capitais no país, dificultando a manutenção do câmbio fixo. É por isso que o Banco Mundial defende a valorização da moeda. “Com o tempo, a maior flexibilidade cambial pode permitir que a China tenha uma política monetária independente das condições cíclicas dos EUA, o que é cada vez mais necessário”, diz o relatório trimestral divulgado ontem.

Pequim enfrenta pressão internacional crescente para valorizar sua moeda. Nesta semana, senadores americanos apresentaram proposta de legislação que classifica a China como um país que manipula o câmbio para obter vantagens comerciais, o que abriria caminho para a imposição de sobretaxas na importação de seus produtos. Com isso, eles esperam neutralizar o que consideram como vantagem indevida das vendas chinesas.

Os críticos afirmam que a cotação do yuan é mantida artificialmente entre 20% e 40% abaixo do que seria o nível correto, caso forças de mercados definissem o valor. A moeda desvalorizada amplia a competitividade das exportações chinesas.

Os economistas do Banco Mundial não se referiram ao impacto do câmbio nas exportações e destacaram apenas os efeitos da moeda valorizada sobre a economia chinesa. Eles não consideram a inflação um grande problema, mas acreditam que o fortalecimento da taxa de câmbio pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias.

FRENTE A FRENTE

Ding Zhijie
Professor da Universidade de Comércio Internacional e Economia em Pequim
“Com uma pressão tão pesada dos EUA, qualquer ação pode parecer uma submissão à pressão estrangeira.”

Sherrod Brown
Senador dos EUA
“O presidente Obama estabeleceu uma meta de dobrar as exportações dos EUA em 5 anos. Para isso, será necessário que a China valorize sua moeda.”

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FMI recomenda ajuste fiscal de 6% nos países ricos

istambul | 26 de março de 2010 | 17:21

15/03/2010 – 07h38

GENEBRA – Países como os Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Irlanda, Espanha e Grécia precisarão cortar despesas ou aumentar a arrecadação numa média de 6% ao ano nos próximos 20 anos para equilibrar suas finanças, num gigantesco esforço fiscal.

É a conclusão de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontam o peso do alto endividamento público e envelhecimento da população. Para voltarem a um nível de sustentabilidade da dívida equivalente a 60% do PIB, países desenvolvidos do G-20, que reúne as maiores economias, serão forçados a um ajuste fiscal primário (excluindo pagamento de juros), que passariam de déficit de 3,5% do PIB em 2010 para superávit de 4,5% em 2020. Esse superávit deveria ser mantido até 2030. Para economistas do Banco Mundial e do FMI, o tamanho desse ajuste não é improcedente, apesar de evidentemente problemático também do ponto de vista político.

Já para a maioria dos emergentes do G-20, o que inclui o Brasil, o mesmo ajuste não será necessário, já que seus débitos são bem menores – 40% do PIB em 2010 comparado a 107% para os desenvolvidos do grupo. O superávit fiscal primário no Brasil, por exemplo, foi de 2,1% do PIB em 2009.

Para economistas do Banco Internacional de Compensações (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, o problema fiscal que as economias industrializadas enfrentam é de fato bem maior do que as cifras oficiais indicam e tem consequências graves para a economia mundial.

A dívida do setor público de países industrializados, ao superar os 100% do PIB em 2010, alcança um patamar nunca visto em tempos de paz. E isso sem que os governos levem em conta em suas projeções orçamentárias as despesas com o envelhecimento da população, segundo Stephen Cecchetti, diretor da Área Monetária do BIS, e os técnicos M. S. Mohanty e Fabrizio Zampolli.

A situação é ainda mais preocupante, porque, primeiro, os países ricos sofrerão uma “perda permanente” do potencial de produção, no rastro da recessão global, e isso significa menos receita fiscal. E enquanto o desemprego estiver alto e empresas subutilizadas, maior será a economia informal, que não paga impostos.

Mais inquietante é que a política fiscal expansionista coincidiu com a alta dos gastos relacionados ao envelhecimento da população. A população idosa em relação àquela em idade de trabalhar vai crescer rapidamente, sobretudo no Japão, Espanha, Itália e Grécia, que já enfrentam gigantescas dívidas. A alta de custos de cuidados da saúde pode dobrar para 10% do PIB nos EUA.

Outra constatação: até recentemente, os governos conseguiam rolar suas dívidas com taxas de juros próximas de zero. A situação mudou recentemente, com elevação das taxas dos bônus de longo prazo de vários países industrializados, indicando que os mercados não consideram mais seus títulos como sendo de baixo risco. O alto endividamento público deve diminuir a acumulação de capital, frear o aumento da produtividade e o potencial de crescimento econômico no longo prazo. Complica a gestão da política monetária e traz a ameaça de maior inflação.

(Assis Moreira | Valor)

Fonte: Valor Online

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Mini-Palgrave: dicionário de conceitos econômicos

istambul | 25 de março de 2010 | 11:40

Está no ar o último elemento de preparação para a Conferência de Istambul: nosso manual de conceitos econômicos, o Mini-Palgrave.

Mini-Palgrave

O material, de leitura facultativa, tem por objetivo auxiliar na sua preparação para a simulação da reunião conjunta do Banco Mundial e FMI, apresentando os principais conceitos econômicos encontrados no Guia de Estudos, e procurando explicá-los de forma breve e didática.

O nome Palgrave é em homenagem ao famoso dicionário de economia, The New Palgrave, trabalho de oito volumes contendo 7680 páginas, produzido por mais de 1500 contribuidores (incluindo 25 ganhadores do Prêmio Nobel de Economia) e editado por S. Durlauf e L. Blume (última edição: 2008). Este, por sua vez, tem seu nome em homenagem ao Dicionário de Economia Política (1894-99) de R. H. Inglis Palgrave, o qual constituiu um marco histórico para as publicações em economia há mais de um século.

Referência: http://www.dictionaryofeconomics.com/dictionary

Recomendamos uma nova leitura do Guia principal nesta última semana de preparação para a Grande Sinus 2010. Só que, desta vez, procurem ter ao lado o Mini-Palgrave, e consultá-lo sempre que surgir um termo econômico em negrito. Os termos apresentados no Mini-Palgrave estão em ordem alfabética. Na versão atualizada do Guia de Estudos, você pode encontrá-los grifados para melhor identificação.

Guia atualizado

Desejamos a todos uma excelente preparação, e nos vemos na Sinus!

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No ar: anexos da Conferência de Istambul

istambul | 20 de março de 2010 | 1:50

Estão finalmente disponíveis os anexos ‘about‘ do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Para acessar os documentos, siga os links abaixo:

About Banco Mundial

About FMI

Lembramos que essas leituras são indispensáveis na a preparação para a Conferência de Istambul. As informações apresentadas compõem a essência da preparação especializada de cada delegado. O objetivo dos anexos é dotar os delegados de uma compreensão do tipo de trabalho realizado por cada uma das instituições de Bretton Woods, já que o escopo das nossas discussões abordará essa face meta-operações do Fundo e do Banco.

Portanto, nada melhor que ter uma boa idéia de como é o dia-a-dia do trabalho dessas organizações.

Entre as seções contidas nos abouts, figuram:

  • Mandato e histórico da instituição
  • Block position
  • Questões que um communiqué deve responder

Em breve, disponibilizaremos um manual de conceitos econômicos para auxiliá-los com os termos específicos da linguagem econômica. Fiquem de olho!

Atenciosamente,

Equipe de Istambul

PS.: Esclarecendo as dúvidas de alguns delegados, nossas reuniões conjuntas funcionarão da seguinte maneira: as delegações serão representadas pelas duplas de delegados; cada dupla possui apenas um voto (proporcional ao peso do país em votações substantivas) – ou seja, apenas um delegado levanta sua placa; e as delegações se pronunciam enviando um delegado para discursar dentro do tempo pré-estabelecido.

É importante ter em mente a especialidade de cada delegado para tratar de temas gerais do ponto de vista do FMI e do Banco Mundial. Serão necessárias habilidades de trabalho em equipe para que haja a coordenação adequada dos delegados, em defesa dos interesses de seu país, durante as sessões conjuntas – para elaborar discursos, votar em conjunto e negociar com outras partes.

Para maiores esclarecimentos, envie-nos um e-mail: istambul@sinus.org.br

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Banco Mundial ou FMI?

istambul | 15 de março de 2010 | 12:00

Para ajudar nessa decisão, encontram-se abaixo links para alguns vídeos interessantes sobre as duas instituições.

Um mundo global

Promovendo o crescimento

Uma introdução ao FMI

Por um mundo livre da pobreza

Lembrem-se de enviar um e-mail para istambul@sinus.org.br com o o país representado, o nome completo de cada delegado  e o órgão (Banco Mundial ou FMI) para o qual cada um foi designado.

Sistema de votação ponderado

Segue abaixo a lista de países completa da Conferência de Istambul, bem como os pesos dos votos de cada membro nas votações substantivas. Observem que os pesos são os mesmos tanto no FMI quanto no Banco Mundial.

País membro Peso do voto País membro Peso do voto
Africa do Sul 1,1% Haiti 0,1%
Alemanha 7,9% Índia 2,5%
Arabia Saudita 4,3% Indonésia 1,3%
Argentina 1,3% Israel 0,6%
Bangladesh 0,3% Itália 4,3%
Bélgica 2,8% Japão 8,1%
Bolívia 0,1% Malásia 0,9%
Brasil 1,9% México 1,9%
Canadá 3,9% Noruega 1,0%
Chile 0,5% Polônia 0,8%
Cingapura 0,5% Reino Unido 6,5%
Coréia do Sul 1,8% Rep. Popular da China 4,9%
Espanha 1,9% Suíça 2,1%
Estados Unidos 22,6% Tailândia 0,7%
Federação Russa 3,6% Turquia 0,7%
Filipinas 0,6% Venezuela 1,6%
França 6,5% Total 100%

Os pesos são baseados no número de quotas que cada país possui, as quais são determinadas pela contribuição financeira de cada país para o Fundo e para o Banco e, em geral, refletem o tamanho relativo de sua economia. Por sua vez, as quotas determinam os poderes de voto de cada estado membro, bem como os limites com que aquele pode acessar o financiamento das instituições. O número de quotas é variável ao longo do tempo, conforme os países aumentam suas contribuições voluntariamente ou a pedido do FMI ou do Banco, quando há necessidade de expansão dos fundos disponíveis para empréstimo.

Documento de Posição Oficial

Para a Conferência de Istambul, cada delegação deve preparar dois documentos de posição específicos aos assuntos a serem tratados no Banco Mundial e no FMI. Os documentos devem ser assinados pelo respectivo delegado responsável por aquela instituição. As regras para a elaboração do documento podem ser encontradas aqui.

Lembrem-se de que o arquivo do documento de posição deve ser enviado para o e-mail institucional da nossa comissão (istambul@sinus.or.br) antes do início da Sinus. Além disso, as delegações devem levar uma cópia impressa dos documentos para ser entregue na revisão de regras, no primeiro dia do evento.

Documento Final: Communiqué

Seguem abaixo links para communiqués anteriores publicados pelo FMI e pelo Banco Mundial, para transmitir uma noção do que se trata. Notem que, no todo, o communiqué acaba por ser mais simples que um documento de resolução formal da ONU. Observem também a natureza da separação das cláusulas por temas.

Modelo Communiqué 1

Modelo Communiqué 2

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